O processo de auto-conhecimento é inatingível posto que sempre brotam em nós novas covas de irresoluções que não conhecíamos. Não porque não existiam. Elas estavam ali, latentes, no entanto, sem o meio propício para aflorarem.
Daí que tiramos duas importantes lições daqui: a primeira a do não julgamento ao próximo visto que nunca sabemos o estágio na vida de ninguém. O segundo é que todas as mudanças propostas pela religião, na maioria das vezes, é apenas pirulito existencial visto que somente propõem mudanças externas: doação de grana, roupas, participação nos serviços religiosos, performance moral, sacrifícios feito barganhas e ativismo desenfreado. Ora, tudo isso é muito fácil de ser alcançado e por isso o sucesso que julgam ter alcançado os fiéis o que explica seus discursos triunfalistas sempre voltado ao Clube que participam.
Mas, veja bem, a proposta do Evangelho é sempre para dentro, num mergulho que gera angústia e dor posto que o mergulho nunca é tranqüilo. O encontro consigo mesmo é prazeroso – posto que verdadeiro (o que gera liberdade) – mas nunca fácil. É sempre um encontro no profundo, ou seja, é desafeito com as superficialidades. Esta última é justamente a causadora dos males do julgamento ao próximo bem como dos docinhos oferecidos ou cobrados das bancas religiosas.
Quanto o Evangelho – lembre-se, o Evangelho é outra coisa – a exigência está em si. Ora, a proposta não é por um mergulho na individualidade fragmentada dos nossos tempos, mas, antes, é o mergulho no nosso verdadeiro Eu, na descoberta do que somos, quais são nossas raízes culturais, familiares, comunitárias e todos os outros espectros que nos assaltam, formando um mundo – sim, falo do mundo que Paulo diz jazer no maligno – de fantasias que chamamos de eu, mas que, de verdade, é apenas a máscara de auto-proteção e busca desenfreada pela passividade e não pela pacificação. Também é uma busca pelo individualismo e não pela individuação (que é o ato de sermos, através dEle, o que já somos nEle). Ainda: o que vemos na maioria é um desengano total onde as bem-aventuranças foram transformadas em poesia de cultos religiosos mas está longe de ser fato entre nós. Então o Evangelho não é quase visto.
Meu desejo a mim mesmo, a meus tios e tias, aos meus pais, irmãs, amigos, esposa e filho, é que todos sejamos sábios com o tempo. Que os ventos do tempo que passam em nós possam retirar de um certo "nós" tudo aquilo que em nós é apenas entulho. Que, em tudo isso, a mão de Deus a todos pacifique. Por mim mesmo peço apenas que eu seja gente boa de Deus, pacificado, confiante em fé. Peço assim por mim e por você também. Peço envelhecer em bondade de coração e sabedoria de vida.
Bjão, com carinho,
Vando
vanderenator@gmail.com
www.twitter.com/vandobarboza
A busca por si nos profundos abismos do peito
Postado por Dos dois lados do Equador às Segunda-feira, Novembro 30, 2009 0 comentários
Marcadores: Vida
Expo Algodão Doce Góspel
Já escrevi algumas vezes sobre a festa “evangélica” que se aproxima, a Expo Algodão Doce Góspel. “Pesado já de início”, diriam alguns.
Aqueles que me têm lido sabem o que penso dessa religiosidade água com açúcar – e muito volume (um algodão doce recheado) – que é um extrato fiel da auto-ajuda presente nos templos, batida no liquidificador com muito engano, moralismo e muitos versículos bíblicos para justificar o medo, a angústia e a guerra. São “missionários de um mundo pagão proliferando ódio [em nome do amor] e destruição” [em nome da verdade].
Ora, não falo da questão administrativa da festa – que envolve entidades esquisitas, por exemplo – por ser óbvio demais. Isso deveria ser com o poder público e não merece uma linha, pois retrataria, além do óbvio, uma suposta coragem, na verdade apenas uma inverdade medrosa de não falar do que é.
Nem falo da junção entre religião e Estado, num claro ferimento à Constituição onde o dinheiro público é posto para dizer: “Jesus é o maior” trazendo à morte o pilar de separação entre Igreja e Estado que, no Brasil, convenhamos, nunca existiu.
Não falo da questão política: é óbvio também. Há muitos interesses envolvidos: votos, cargos e barganhas que fariam corar um macumbeiro que coloca o nome de alguém na boca de um sapo. Com vergonha também ficariam as mulheres que abrem suas pernas nas madrugadas a fim de ganhar seu dinheiro.
Entenda: o que falo é do que seja Evangelho. Nesse caso do que não é. Essa é a questão. Aliás, essa é a única questão. Esse texto trata disso porque tal coisa é possível simplesmente a partir do que não é evangelho, posto que é apenas show e bussines – sim, há apenas show e bussines, assim não se engane com os choros, os gritos de “aleluia” e outros mantras próprios de quem precisa afirmar-se diante do maior país católico do mundo.
“Deixe-os”, diriam alguns meninos românticos, “afinal falam de Deus, de amor, de paz, de salvação, de cura, de Jesus”.
Resumindo muito, o que digo é: sim falam, mas falam de um Deus sem graça, de um amor justiceiro, de uma paz neurótica, de uma salvação parcial, exclusivista e dependente do homem em tudo, de uma cura vendida e de um Jesus pop star, maioral, bancário – no sentido puramente financeiro da palavra – e moralista. Calar-se com isso é compactuar em covardia e insensatez com esse dês-evangelho crido por milhares aqui em Angra.
Resumindo ainda: Quem, a fim de ter um filho, entregaria sua esposa nas mãos de um médico que a estrupasse a fim de atingir sua meta? Afinal o que temos é isso: um estupro emocional coletivo em nome de Jesus (para a maioria, falou a palavra “Jesus” é como se legitimasse as maiores tagarelices, loucuras, burrices ou então simplesmente muita malandragem mesmo), com muita adrenalina, muito pulo, muito discurso e nada de pacificação na caminhada. Entenda: é que os cristãos deveriam ser os seres mais pacificados da Terra. Mas nem de longe essa é realidade.
Enfim: esse é o que grito aqui desse telhado pois não tenho barganhas a fazer com ninguém pois o que devo a todos é o que o Evangelho ensina bem como também devo demonstrar o que não é Evangelho – principalmente se essa coisa vier em nome do próprio Evangelho.
Ouça quem tiver ouvidos para ouvir. Quem não tiver, que a Vida ensine.
Sendo simplório é esse o começo da prosa. E, como diria meu avô, não me venha com conversa fiada.
No Caminho onde a vida nos chama à Vida.
Vando
vanderenator@gmail.com
www.twitter.com/vandobarboza
Postado por Dos dois lados do Equador às Quarta-feira, Novembro 25, 2009 0 comentários
"Humano, demasiado humano" *
Do inteligente a inteligência é a armadilha.
Do homem de caráter seu trunfo infernal é seu bom mocismo.
Do que tem percepção sua fraqueza é muito ver.
Do que muito ama, muito amor é seu mal.
Do que muito sabe, como não há ignorância que volte, muito saber é contra ele.
Do que nunca provou porque ruim é à alma, ao corpo e à sabedoria, isso será contra ele usado.
Do que palavrão não fala, palavrões lhe povoarão.
Do homem bom até os abutres cobram afirmando-o assim, que tão bom não é.
Do sábio, a sabedoria não só será pedida, como exigida até a morte.
Do homem da paz, a guerra será companheira como quem diz: de paz ninguém é num mundo como esse, onde muitas vezes, a única paz possível é uma bandeira branca a meio pau – e olhe lá.
Do homem que chora, não haverá lágrima suficiente.
Do que ri até da dor, a dor lhe exigirá o riso.
Do que sofre, o sofrimento não o deixa.
Para cada afago uma adaga. Para cada flor um espinho. A cada passo a frente um laço.
_____
Eis aí.
Diante de mim.
Como a um moribundo.
No espaço-tempo preso e vagante.
A cortina se fecha.
A janela acompanha.
A chave dobra a fechadura.
As luzes apagam.
A Paz acende.
Assim o homem: daquilo que lhe é virtude, a mesma virtude lhe será castigo, prova, pecado.
Daquilo que lhe é pecado, em contrapartida, haverá um eixo de bondade, amizade, alegria, misericórdia, graça.
Isso será motivo para o pecado?
Certamente não. Só o tolo procuraria viver como um bi-polar.
Quanto a isso – digo, a bi-polaridade – já basta ser quem nada quis.
Quanto aqueles que não o somos, o caminho não necessariamente é o do meio. O único caminho possível é o caminho do Amor. É aqui que iniciam todos os textos. E que terminam. Veja você que o Verbo – inicio de tudo – é Amor. Sem Amor nada serve, presta ou tem sentido. No Amor até a morte perde sentido. Ou ganha.
Mas eis que a realidade da vida se impõe a todos, todos os dias como quem diz: você pode ser poeta mas não aprendeu a amar. Pode saber ler, mas não sabe discernir o que interessa. Pode até ter a aprendido a escrever, mas escreve muitas vezes em tortas linhas.
A vida como ela é, não é um conto de Nelson Rodrigues, mas é imersa naquilo que nós somos: entre virtudes e seu eixo contrário daquilo que não gostaríamos de ser, caminhamos.
Aqui, mano de caminhada, encontra-se a chamada para o descanso da existência no Caminho dAquele que se fez caminho por nós, mesmo que nos dizendo: “volta para tua casa”.
Voltamos.
Mas a casa já não é a mesma porque nosso olhar mudou.
Então, resta a confiança. Resta saber que Aquele a quem fomos entregues não nos abandonará em meio a tantas discrepâncias. Em meio a tanto de nós.
Assim, enquanto caminhamos eis a chamada: discirna-se. E deixe-se ser esquadrinhado como o faz um engenheiro na obra que acompanha. Eis que o salto é de fé porque sem fé é impossível agradar a Deus. Mas não a uma fé devocional. É a fé de quem encara a vida não como a um versículo decorado, um Salmo 91 escancarado na prateleira. Ah não. É sim como a um homem de dores, mas que, apesar disso, apenas creu porque primeiro foi crido.
A esse homem o Senhor diz: vá, meu amigo – porque já não te chamo de servo mais – e viva. Agora não mais como escravo das mentiras que criastes em torno de ti mesmo, mas como um liberto, encarando, em verdade, teu pior inimigo: tu mesmo.
No Caminho, sempre no Caminho, onde a caminhada é feita em verdade – única possibilidade da liberdade de ser,
Bjão com carinho,
Vando
vanderenator@gmail.com
www.twitter.com/vandobarboza
* O título desse post é o mesmo de um livro de Nietzsche
Postado por Dos dois lados do Equador às Segunda-feira, Novembro 23, 2009 0 comentários
Marcadores: Vida
Tratado sobre o pecado
I João 1:8, 9, 10 e 2:1, 2.
Diante do exposto por João, discípulo de Jesus, segundo Seu Espírito, fica decretado:
1. Que o pecado não tem nada a ver com o que se pode e o que se não pode. O que se quer e o que não se quer da religião. O que é permitido e o que não é, o que é sim e o que é não.
2. Que pecado é todo atentado contra o AMOR e contra a VIDA; quer a minha própria, quer a do meu semelhante, quer A Vida.
3. Que pecado é condição e potencial, mas também é ato e prática deliberada ou não.
4. Que dizer que não temos pecado parece tolice, mas é o que sempre mostramos e fazemos quando nos eximimos do potencial de pecar em áreas que atualmente não pecamos, criando a matéria prima para o julgamento e a acepção de pessoas.
5. Que quando dizemos que jamais pecaremos ali ou aqui, naquilo ou nisso e que não temos potencial destrutivo pra tudo e mais tudo, estamos chamando a nós mesmo para um bate-papo e dizendo: “Você é realmente um mentiroso e não enxerga um palmo à sua frente!”
6. Que somos extremamente seletivos em relação aos nossos pecados e fazemos diferenciação entre os erros que nos são convenientes e os que não são.
7. Que somos exímios criadores de hierarquias e castas de pecados tratando cada qual ao nosso bel prazer e critério.
8. Que dizer que não cometemos pecado é a mesma coisa de fazer essas classificações e tratarmos isso diante de Deus de modo leviano, rápido e vagabundo, como se Deus fosse um humanóide que não sabe o que somos e fazemos.
9. Que o remédio para o pólo que se exime e julga é o mesmo para o que classifica e não trata resolutamente, isto é, a verdadeira confissão.
10. Que confissão não é jamais o ato de repetir verborragicamente a Deus o que eu penso que sei sobre mim, mas uma reflexão reverente e silenciosa a fim de receber revelação de quem estou sendo e o que preciso ser para o meu próprio bem.
11. Que Deus lida com o pecador com o afeto amoroso de um pai para com seu filho, mas trata o pecado com a seriedade de um tribunal.
12. Que não pequemos, mas ao acontecer tal acidente, recorrermos a Jesus, que se intitulou como Advogado.
13. Que quando pecamos o nosso “pecado principal”..., “aquele que classificamos como o maior, o nosso rival e maior inimigo”, dificilmente recorremos à defesa desse Advogado, mas nos auto-habilitamos para realizar nossa própria defesa com barganhas, como: punições, choros, performances, pagamentos missionários, jejuns, promessas, ofertas, reclusões, isolamentos, dentre tantos outros artifícios que só nós sabemos fazer.
14. Que Aquele que é Advogado é também o Propiciador, isto é, Aquele que pagou nossa fiança não com dinheiro humano, mas com a própria condenação de morte em nosso lugar.
15. Que atentar contra esse tribunal de paz e justiça é cometer blasfêmia contra os céus e contra si mesmo.
16. Que quem faz defesa de si mesmo candidatou-se e elegeu-se como advogado do Diabo.
17. Que esse tribunal diário não é só pra mim, mas para o mundo todo.
18. Que quem ama, aceita e prega esse tribunal, realiza bem de salvação a vida que o recebe.
19. Que a questão do pecado já foi resolvida em instância superior entre Deus e Deus, e que a mim cabe somente confiar na defesa dAquele que advoga e na fiança do que propicia minha liberdade.
20. Que todo aquele que crer nessas palavras e as praticar tem vida eterna em si, exalando-a em toda jornada da existência.
Thiago
Postado por Dos dois lados do Equador às Quinta-feira, Novembro 19, 2009 0 comentários
Carta: Deus abandonou-me em fraqueza e solidão
Email recebido:
A paz do Senhor!
Não sei se com este venho a te atrapalhar, mas gostei muito deste texto seu – muito bonito.
Você tem mais algum neste mesmo estilo? Porque mesmo assim ainda tô me sentindo fraca, abandonada e sozinha.
Aguardo respostas. Obrigada.
De: Abandonada por Deus
Para: vanderenator@gmail.com
Data: 12 de novembro de 2009 21:20
Assunto: Sinto me abandonada por Deus
________________________
RESPOSTA:
Olá querida,
Ao final desta resposta listo outros textos que escrevi aqui e que poderão lhe ajudar, conforme seu pedido. Mas, além destes, há muitos outros. Clique no lado esquerdo do blog no “Marcador”, “Esperança” e muitos textos aparecerão. Alguns destes estão abaixo.
Mas, antes de tudo, gostaria de lhe apontar algumas breves palavras.
Pelo texto você é de raiz evangélica, estou certo?
Por conta disso, gostaria de lhe apontar algumas situações que poderiam lhe ajudar.
Em primeiro lugar lhe digo: creia-me, Deus não se afasta de nós. Somos nós que nos afastamos dEle. Somos nós, através de processos religiosos ou não que afirmamos no dia-a-dia que Deus se parece muita mais uma potestade pagã e não o Deus Emanoel que está conosco. Somos nós que não cremos porque ouvimos aqueles que, supostamente, são representantes de Deus aqui na terra. Na verdade esse Deus é muito mais uma entidade de auto-ajuda do que outra coisa. Daí, quando algo dá errado, vaticinamos: Deus se afastou de mim. Ora, esse deus pagão é bom que se afaste. Quem sabe aí veremos a Deus mesmo, não de ouvir falar mas de conhecer e prosseguir em conhecimento. E isso não em arrepios e choramingos de domingo à noite mas apenas pelo crescimento da consciência diante de si, dos homens e Deus mesmo.
Creia na Graça. Creia que a Graça não é uma doutrina, um credo religioso. A Graça é tudo que nos há. Sem a Graça somos um amontoado de nada vagando em náusea. Com a Graça somos um amontoado de nada encontrados pelo Amor. Deus é Amor minha mana e não um Deus que é Justiça. Da justiça de Deus não suportaríamos a ponta da unha. Descanse que Deus lhe perdoou. Mesmo. De tudo.
Creia que a religião e seus templos, orações, músicas e sermões não lhe trarão vida. Creia que nada disso lhe acrescentará um til de Paz, Alegria ou Bondade. Assim, gente como você, que não se torna cínica diante da máquina religiosa, entra em pane em algum momento. Isso porque o discurso triunfalista e moralista da religião alguma hora quebra, dá pau. Daí, que há dois caminhos: há aqueles que se tornam cínicos dentro, secos de tudo, cheios de doutrinas ou fórmulas paganizadas de barganhas com Deus, mas ainda assim dizendo: “Jesus é bom”. E há o que os se tornam cínicos para fora da caixinha religiosa, conhecidos pelos “de dentro” como desviados. Esses, de decepcionados com a “igreja” transferem então sua decepção para o Deus, um Deus estranhamento próximo para ser um carrasco implacável.
Minha mana querida, poderia lhe escrever ainda outras coisas. Mas, muito provavelmente, você precisa descansar em Deus. Em Deus mesmo. Esqueça esse Deus de álbum de figurinha que a gente tem como uma marca, como um ídolo, como um agitador de agendas religiosas, como um gladiador que luta contra o diabo. Esqueça isso. Descanse em Deus.
Como, você me pergunta?
Ora, só de você deixar de lado essa potestade da religião, confiando que Deus lhe ama mesmo, que Ele está com você mesmo, agora, não por emoção, não por sentimento, mas por Amor, então tudo já tomará outra direção.
A seguir leia os Evangelhos. Leia-os como se nunca tivesse lido. Não tire lições. Apenas leia e veja a simplicidade com a qual Jesus tratava a vida: sem maquiagens: reconhecendo dor onde havia dor, alegria onde alegria, distância onde havia distância e fé onde havia fé.
E você talvez se pergunte: mas, ora e eu tenho fé? Minha mana, ninguém que se pergunte o que você se pergunta deixa de ter fé. A fé não é o palpável, mas é saber que Deus faz seu Caminho em nós apesar de nós. Saiba isso. Enquanto isso a gente vai esperando com esperança graciosa o que não vemos ou conhecemos. Dias melhores virão, mas certamente que não será aqui.
Daí que sua crise não tem a ver com Deus mas apenas com a religião e com tudo que ela nos ensina a milênios. Então, quando as fórmulas da religião não dão resultado entramos em parafuso e, consequentemente, jogamos a culpa naquele que seria o pai da religião: Deus. Mas saiba: Deus não tem nada a ver com isso. O Evangelho é outra coisa.
Abaixo seguem alguns textos que você pode procurar no blog para completar sua leitura. Querendo escreva-me. Estarei aqui.
E, desde já, peço que o Deus Nosso lhe guarde em fé, esperança e amor.
Textos sugeridos:
A esperança como companheira de caminhada
A esperança tingida de flor
A esperança é como a flor que insiste em nascer na terra de dores
Meu Salmo 20 existencial
Carta: Estou só e com medo de abandonar Deus
Carta: Deus esqueceu-se de mim?! (2 cartas)
Carta: Deus esqueceu-se de mim?!
Bjão,
No Caminho, onde Ele é a razão de nossa fé, e somente Ele,
Vando
vanderenator@gmail.com
www.twitter.com/vandobarboza
Postado por Dos dois lados do Equador às Sexta-feira, Novembro 13, 2009 0 comentários
Marcadores: Cartas, Esperança, Evangelho, Graça, Religiosidade
Cartas: A esperança que brota por dentre as pedras
Boa- noite amigo,
Nunca lhe perguntei: de onde você é? Mais até porque você é de dentro da minha casa.
Estou bem melhor, estou até namorando. Conheci uma garota a uns quatro meses. Ela é gente muito boa. Ela me namora desde que a conheci, mas sempre fui muito sincero: ela sabe toda minha história e sempre esteve ao meu lado. Muito amiga, ela é crente, mas nem parece. Depois que ficamos amigos eu também estou conseguindo namorar ela também apesar dos conflitos na minha cabeça que são constantes. Apesar de tudo sempre me senti bem perto dela, mas quando estou longe ainda não sinto falta dela e sim da falecida, (e estranho) pode ser que seja cedo para ter alguém, mas pode ser que quando chegar a hora ela não esteja mais lá. Ela sabe que eu não a amo, não gosto como deveria, mas ela mesmo assim diz: “isso vai passar e você pode contar comigo hoje e sempre”. Já se nota que ela está apaixonada por mim, muito mesmo, mas eu nunca menti para ela fazendo promessas ou coisas do tipo. Mas eu espero, com o tempo, eu venha a gostar dela e corresponder bem, pois eu demoro gostar mesmo...
Até mais e lembra de você me convidar para uma fé de homens. Estou querendo conhecer como e não quero mais uma vida voltada só para o mundo superficial como eu tenho, mas também não quero voltar para o deus menino...
Como vê, o que não falta na minha cabeça é conflito...
De: A esperança que brota por dentre as pedras
Para: vanderenator@gmail.com
Data: 2 de novembro de 2009 00:06
_____________
RESPOSTA.
Querido irmão de caminhada,
Suas duas últimas correspondências têm me dado sempre alegria. Lembro-me de suas primeiras cartas ainda. Muito reticente e apressada. Hoje já muito mais pontuada e cuidada. Isso porque mesmo antes das próprias palavras o formato da carta e de nossa forma de escrita denuncia-nos.
É bom ter notícias suas.
Respondendo sua pergunta sou praticamente de Angra, apesar de morar em um município vizinho. Mas como já morei em Angra, trabalho e estudo aqui, reúno-me com o pessoal do Caminho aqui, meus amigos são daqui e passo quase nada de tempo onde moro, então me considero daqui. Estou lhe respondendo essa carta enquanto estou em Angra, por exemplo. Mas moro em Mangaratiba.
Sobre a questão de seu namoro gostaria de lhe colocar algumas situações. Não acredito que seja o melhor para você e para ela estar num relacionamento onde não haja um interesse real de ambas as partes.
Ora, meu amigo, leia-se e você verá se o que lhe direi tem razão de ser. O que lhe digo é: é muito provável que você esteja com ela apenas pela enorme carência que lhe assalta o peito, carência essa fruto de todo o processo que você passa.
Sendo assim, acho que, por ela e por você, o melhor não seria viver numa situação de completa carência, não somente sua, mas também dela que se submete a dar-se a um homem que não a ama e não a quer como mulher. Sim, meu amigo porque vejo que você a tem como uma agradável companhia e como uma amiga - mas nada além disso.
Daí que a sabedoria diz: como você poderá saber se acordará o amor? Ora, o amor não se acorda, nem se faz brotar, o amor simplesmente é e não tem dono, incentivador ou método. O amor nos assalta como um ladrão à noite, ou seja, não manda cartão, não telefona ou deixa recado. Por isso meu irmão não conte com o ovo que ainda não está posto. Viva o Hoje que é quando ouvimos Sua Voz.
Melhor seria propor a ela sinceridade em tudo a ela: não somente de palavras mas de existência. Pois, pense, se você por sua carência, manter-se num relacionamento como esse, vindo a tê-lo tornar-se cada vez mais sério e sem que nada aconteça no seu peito o que acontecerá será que, o que é bom agora devido as circunstâncias, amanhã tornar-se-á um fardo. Amanhã será tudo mais dolorido para que haja uma solução baseada na verdade, ainda mais que ela não parece querer a verdade hoje e pode ser que amanhã também não.
Pode ser até que a situação mude na relação sua para com ela daqui a um tempo, mas, pergunto: e se não mudar? E a dor que você provocará? E ela, apesar de tudo, se sentirá enganada mesmo apesar de você não a enganar sobre nada.
O que realmente penso meu amigo, é que a tolice proposta todos os dias por uma cultura instalada na maioria não passa de um engodo. Digo daqueles que insistem em tratar o outro como um prato que nunca se experimentou mas está ali, de graça. Daí o sujeito vai, pega, come e diz: bem não gostei, mas estava de graça, então peguei. O cara pode até pegar, mas a alma vai virando uma pasta, uma sopa sem sentido, sem cor, sabor ou sem demonstração de sentido para a existência.
Ora, os jornais e revistas estão aí tratando os seres como se tudo fosse razoável. Razoável é a sanidade, ainda que sejamos sempre parciais num mundo em queda livre. Nenhum de nós sabe o melhor. Nenhum de nós tem a completa resposta. Nenhum de nós é inteiro. Todos somos parciais, meu irmão. Mas, com o passar do tempo, com as leituras, com a ajuda de outros e com a consciência que adquirimos na caminhada com o próprio Espírito então vamos deixando para trás as coisas que não nos edificam.
Mas, meu irmão, isso digo aqui de longe. Nisso, como sempre, é você quem saberá diante até dos últimos acontecimentos nesses dias até a minha resposta.
Sobre o Caminho dos Homens, única proposta possível no Caminho da Graça, sugiro-lhe a leitura do livro O Enigma da Graça do Caio. Esse não achei para download no site dele, mas você pode comprá-lo no próprio site do Caio. Mas há também o Sem Barganhas com Deus, e esse tem para download gratuito em www.caiofabio.com. Sugiro-lhe a leitura dos dois. Verá que seus horizontes se abrirão muito. São livros para ler repetidas vezes ao longo da vida. Você verá que cada parágrafo contém uma reflexão profunda que permite longas e intensas viagens.
Fique na Paz que excede todo entendimento que nos guia em tudo, mesmo quando não sabemos,
Bjão,
Vando
vanderenator@gmail.com
www.twitter.com/vandobarboza
Postado por Dos dois lados do Equador às Sexta-feira, Novembro 06, 2009 0 comentários
Marcadores: Cartas; Namoro
Revisitando: Cartas: Não seria melhor olhar para o próprio umbigo ao invés de ficar apontando o erro da "igreja"?
Quando enviei o texto O Último Cristão, escrito por Paulo Brabo, para um grupo de amigos; de um deles recebi a seguinte resposta:
----- Original Message -----
From: To: Vando
Subject: Re:Fw: O último cristão - Por Paulo Brabo
Bom-dia,
Só estou colocando aquii minha forma de pensar, não estou batendo boca nem querendo ser agressiva com você não ta?rsrsrs
Um bom dia na paz de Cristo!!!!
Concordo em parte que realmente a reputação de muitos cristãos não condizem com o significado do nome, mas não podemos generalizar rsrsr (mas se ficarmos olhando p isso,,rsrsrs não vai sobrar um cristão, porque um vai falar mal do outro, etc...e isso não é ser cristão né?!). Mas não creio qeu seja um cristianismo tosco, até porque nada relacionado a Cristo poderia ser considerado tosco. Acho que cristão é aquele q crê e vive Cristo. Alguns não o vivem, mas acreditam Nele e também se intitulam cristãos.
Acho que para se estar bem, não devemos ficar olhando para outras pessoas, devemos nos importar sim com nossa vida e se "eu" O estou agradando. Se o meu pastor, ou a minha família, ou a minha igreja , ou sei lá quem, não está, isso não é problema meu. Cada um dará conta de si. Devo sim pregar cristo e quem Ele é, não ficar reparando a maneira como os outros o servem.
Ser cristão é algo tão simples... Que muitos se perdem na teologia tentando dar nome e explicar tudo . As coisas de Deus são sobrenaturais. Jamais conseguiremos atingir a mente de Cristo e decifrá-la, basta-nos a graça e vivê-lo intensamente, no sobrenatural dele.
__________________________
RESPOSTA:
Bom-dia,
A questão - definitivamente - não está em bater boca ou coisas do tipo. Se há algo que mais faz mal é a máscara familiar adornada por festas de aniversário, natais e casamentos que escondem as dores, as traições e os ódios. Nada faz tão mal como trabalhar numa empresa ou com um chefe onde não existe diálogo e possibilidade de se expor o que precisar ser melhorado - ainda que todos saibam que o que está sendo feito produz prejuízos financeiros, emocionais e psicológicos.
E nada mais vergonhoso do que a atual ciranda evangélica. Nada mais vergonhoso do que o que é feito em nome de Deus. Aqui, em Angra, o Conselho de Pastores - que congrega senão todos, pelo menos a esmagadora maioria dos pastores angrenses -, está "fechada" com o candidato a prefeito Bento Costa. E ninguém sente mais vergonha desses acordos para ter poder, ser cabeça e não calda, tomar a nação e coisas tão esdrúxulas quanto. Ora, mas Jesus disse claramente que o Reino dEle não era desse mundo. Ou Jesus enganou-se ou quem propõe vitórias, prosperidades, ganhos, poder, poder e poder está não só totalmente enganado como ensinando doutrinas de demônios.
A questão não é - definitivamente - se estamos seguindo na individualidade, na "igreja" (se é que há Igreja no sentido do Evangelho ainda...), na família ou seja lá onde for. A carta de Judas é muito clara a respeito desses enganadores. Veja o que ele diz:
"Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, santificados em Deus Pai, e conservados por Jesus Cristo: Misericórdia, e paz, e amor vos sejam multiplicados! Amados, eu estava pensando com todo o coração no que eu vos escreveria acerca da nossa comum salvação, quando me veio a certeza da necessidade de vos escrever, e também de vos exortar a batalhar pela fé que uma vez por todas foi dada aos que crêem em Jesus Cristo. Digo isto, meus irmãos, porque se introduziram em nosso meio homens perversamente dissimuladores, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam o Único soberano e Senhor nosso, Jesus Cristo."
Paulo, quando escreve aos gálatas chama-os de "INSENSATOS Gálatas!". E prossegue: "quem vos fascinou para não obedecerá verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi já representado como crucificado?" Ora, q questão dos gálatas é que haviam caído da graça. E, para Paulo, cair da Graça era entregar-se as obras da carne que - ao contrário das Leis morais pregadas em qualquer igreja cristã de hoje em dia - era, na verdade abandonar a confiança no Cristo Ressuscitado pela Graça de Deus para se dar ao cumprimento da Lei como obra salvívica. É nesta carta que Paulo encara o famoso apóstolo Pedro e o resiste na cara. Sem meias palavras, sem dissimular, sem ser "politicamente correto", sem medo de represálias, sem consultar carne ou sangue. É aqui que Paulo diz que só há um mediador entre Deus e os homens, e esse é Jesus, o Evangelho de Deus aos homens.
Ora, eu poderia ficar horas a relatar detalhadamente sobre o quanto a "igreja" evangélica tornou-se anátema ao Evangelho. Não estou falando de nenhuma específica. Falo do sistema. Não estou falando apenas daquelas que apenas "construir mais templos ricos" como diz a canção. Não estou falando daquelas que saem com baldes de dinheiro de suas reuniões. Nem estou falando dos apóstolos televisivos inventando unções baseadas no Antigo Testamento a fim de manter seus fiéis cativos ao des-evangelho. Nem estou falando dos esquemas políticos que são costurados diariamente em reuniões pastorais. Não falo apenas dessas questões macros que são graves e devem ser denunciadas posto que muitos seguem como ovelhas pastando em campos áridos e enlouquecendo.
Na verdade o maior problema está na castração do ser humano, na impossibilidade de conhecer a realidade, nos pacotes fechados em que se tornaram as "igrejas" cristãs, nas maluquices que as pessoas fazem em nome de um Deus-menininho-irado-mandão, nas unções que as pessoas precisam sempre renovar como quem renova um contrato diário através de seus sacrifícios. Falo, denuncio, como um profeta no Antigo Testamento, ou como Jesus diante dos Doutores da Lei e de todos os chefes religiosos de sua época. Veja que Jesus irava-se não com a prostituta, com a adúltera, com os samaritanos (seriam, por exemplo, como os homossexuais de nosso tempo) ou com qualquer um outro. Sua ira era direcionada aos Mestres, aos Rabis, aos pastores e padres de sua época. Se Jesus não for nosso exemplo de conduta, quem mais será?
Assim como Jesus, devemos ser misericordiosos com os pequeninos, Amar ao próximo como amamos a si próprio, pregar o Evangelho e não a "igreja", a "unção", o "poder", a "adoração". Com Jesus aprendemos que devemos pregar o Reino e apenas o Reino que não é a Igreja pois o Reino está em nós. Assim, o bem maior do Evangelho não é a nossa moral, a música piedosa que ouvimos, a bebida alcólica que não bebemos (ainda que Jesus tivesse, ele mesmo, produzido bebida alcólica - e isso numa festa, onde realizou seu primeiro milagre citado na bíblia). O Evangelho é o Cristo de Deus. Que isso fique claro.
Na verdade, cristão, você bem disse só ouve um e esse morreu na cruz.
Nós seguimos apenas como discípulos que devem aprender que nas relações entre um homem e uma mulher a "igreja" não entra, que deveriam aprender que, se dizemos venha como está não podemos dizer que, agora que já está aqui dentro só continua desse jeito. É preciso urgentemente aprender a não excluir por causa do encontro de genitálias como os jovens são sumariamente degolados e expostos em suas "igrejas". É preciso saber que casamento não é prisão e que a "benção" de Deus dada no "altar" não garante nada posto que a oração do casamento é o Amor e não a prece do padre ou do papa. Que deveriam todos saber que adoração é só aquilo que acontece em espírito e em verdade e não em alma e sinceridade como são os diversos e infinitos tipos de "cultos" que proliferam (da família, de jovens, de doutrina, de ensino, de adoração, de evangelismo, etc, etc, etc, ad infintum).
Ora, eu tenho muito a dizer, mas muito eu já disse sobre isso. E isso que lhe digo não me é novo. Já digo isso a pelo menos a uns 5 anos. Tenho pelo menos uma centena de artigo sobre tudo que lhe disse. Há outras cartas, reflexões que refletem com verdade e veracidade tudo que lhe disse.
Mas não há tempo para eu me repetir no que estou já repetido.
Assim, caso queira posso lhe mandar alguns textos. Antes de tudo, sugiro que leia com carinho o http://www.alexvando.blogspot.com/ e compare o que lá está com o Evangelho. Mas compare com o Evangelho. E veja se não há acordo com o modus viventi de Jesus.
Nisto estou seguro e não minto. Não há dúvidas em mim que os pastores precisam se converter ao Evangelho e deixar os esquemas (são muitos, duro é repeti-los aqui pois isso exigiria um livro). Não há dúvidas em mim que Jesus é o Evangelho e a chave para o entendimento das Escrituras. As Escrituras e a vida devem ser lidas a partir de Jesus e não ao contrário. E, lhe garanto, isso não tem nada a ver com teologia. Linha teológica é para Joãozinho e Maria que precisam de cordão para lhes mostrar o caminho de volta. Quanto a mim, não estou mais nessa.
Assim, espero ter sido claro e ajudado. Não se apoquente em perguntar e questionar. Mas você precisa ler. Sugiro a leitura do Evangelho. Com carinho, sem nenhum intérprete, sem ajudas, sem leituras de rodapés, sem tentar tirar "lições", sem nada. Apenas leia como quem se delicia com uma leitura que está gostando. E compare Jesus com tudo o que vê.
E leia meu blog, caso queira. Mas é preciso ler. Caso contrário não dá para eu me repetir.
No Caminho, onde somos chamados a denunciar se preciso for, e a Amar em todo tempo mesmo que seja para expulsar vendilhões do templo,
Bjão, com carinho,
Vando
vanderenator@gmail.com
Postado por Dos dois lados do Equador às Quinta-feira, Novembro 05, 2009 0 comentários
Marcadores: "Igreja", Cartas, Cristianismo, Evangelho



