Voltando ao início de tudo...


Saiu antes no Tribuna Livre impresso.

Quando no sábado falei com o Klauber Valente sobre o texto para hoje não fazia ideia do que escreveria. No entanto, no ônibus Itaguaí x Conceição de Jacareí, conversando com minha mulher, e refletindo sobre o cotidiano, veio a coluna: o Evangelho está no que somos nele (no Evangelho) e não o que pensamos sobre ele. Em outras palavras: não é o que o Evangelho é para você, mas sim o que o Evangelho é em você.

Ora, a questão é óbvia, mas veja você que, na prática o Evangelho é diversas coisas, porém nunca o próprio Evangelho. Em nossos dias o Evangelho é doutrina correta, é uma [cínica] moral sem mácula, é presença ao templo, é participação na missa, culto ou coisa parecida, é estar subjugado a uma liderança humana, é buscar em tudo uma tal prosperidade, é acreditar [de forma pagã] que há poder nas palavras, é crer que está sobre uma mágica proteção simplesmente por ter seu nome arrolado em algum grupo e assim como que legitimado diante de Deus. É isso, mas, infelizmente, muito mais.


Tudo isso é – ainda que não teoria, mas na prática – o Evangelho para a maioria. Uma massa crescente, vazia, superficial e religiosa.

Repito o básico: o que importa é o que é o Evangelho em você. É o que ele produz em você como paz e bem – sim, porque se não há paz, nem bem, nem nada relacionado à uma esperança crescente no porvir, então, chame de tudo esta sua crença. Chame-a de “igreja” se quiser, mas não de Evangelho porque isso será enganar a si próprio.

Assim, importa que o Evangelho produza em você aquilo que o próprio Evangelho propõe: o Evangelho propõe vida que seja um caminho de pacificação. Evangelho sem Paz na caminhada, é tudo: é Lei, é Doutrina, é Religião mas não é Evangelho. Evangelho é certeza de que a morte já morreu, é crer que a vida é mais do que ser bem sucedido ou nunca passar por nenhum mal, é dar razão a Deus em tudo, é crescer para dentro, é tratar o outro em misericórdia, graça e perdão, é saber que o Amor resume, explica, expande a vida, é saber que fé não é arma de conquista mas sim um escudo que nos mantém firmes num mundo de crescente superficialidades e babaquices.

Faça isso lendo o Evangelho. Olhe como Jesus propunha, agia, pensava. Veja o que Ele orava, com quem ele comia ou como curava. Preste atenção de quem Ele era amigo ou a quem tratava com sarcasmos. Veja o que Ele se dava o trabalho de responder e o que ignorava. Faça isso e verá que é tudo muito simples como simples são as coisas simples.

Beijos,

Vando
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Cartas: Vando, o que é a Verdade para você?



Graça e Paz Vando,


O panorama "evangélico" da internet traz uma característica interessante: São os defensores da ortodoxia protestante que dizem conhecer as "verdades teológicas". Isso me leva a pensar: o que é a verdade?

Na minha opinião a verdade não é um pacote preparado com palavras cultas do saber humano. Na minha opinião, a verdade não é para ser discursada e sim experimentada e vivida.

Em nome dela, muitos foram mortos e torturados. Em nome dela, guerras "santas" foram iniciadas. Em nome dela, muitos condenam outros muitos ao inferno. Em nome dela, os defensores das "verdades teológicas" dizem que eu, você, Caio, Gondim entre outros, são liberais e hereges.

O que é verdade para você?


Na Graça de Cristo,


Marcos

De: Marcos Wandré
Para: vanderenator@gmail.com
Data:16 de julho de 2009 12:44
Assunto: Verdade
___________________________________

Resposta:


Caro Marcos,


Pacificação sobre você e sobre todos os seus,

Jesus estava diante de uma autoridade poderosa de seu tempo e a pergunta lhe vem: “o que é a verdade”.

Jesus ali, prestes a ser crucificado, de frente para a morte, sendo acusado de blasfêmia, sozinho e indo para o matadouro como ovelha que não tem pastor.

O quadro era desolador!

E a questão de Pilatos é: O que é a verdade?

É assim que vejo também o panorama de nossos dias, não somente na Internet, mas também nos livros, nos seminários e em muitos púlpitos “inteligentes” e “cultos”.

O Planeta seca ou inunda, a loucura da prosperidade em nome de Deus faz adeptos exponencialmente, o conluio entre política e religião faria os tempos de Jesus parecer um conto infantil, o medo é arma da quase esmagadora maioria dos púlpitos e os caras preocupados com.... a verdade!

Masturbam-se de um lado a outro sem nada produzir que seja bem.

Ora, não que a divagação seja proibida. Que divaguem. Em seus quartos! Quanto a vida, esta é urgente.

A resposta de Jesus no episódio citado é providencial: um estrondoroso silêncio.

Sim, é silêncio porque como você bem diz, a verdade é bem que se experencia, não questão que se discute. Ou a verdade é algo em nós ou ela não é nada em lugar algum.

Afinal, toda a verdade que habita o peito de um homem se alimenta de toda verdade que o circunda motivo pelo qual devemos manter nossas mentes cativas ao que edifica, pois essa é uma roda da virtude onde o bem se alimenta do bem. O contrário é o que já sabemos: um abismo sempre chama um outro abismo.

Assim, ou a verdade habita em nós por Graça e nos leva cativos a crescer de fé em fé, em caminhos nem sempre retos, não necessariamente iluminados, sem asfalto, sem placas ou qualquer outro facilitador, apenas com os passos da fé mesmo, crendo que a Graça é maior que a Vida, ou então procuraremos a verdade em algo exterior a nós. Tal verdade para uns está na divagação teológica e seus muitos questionamentos de quem apenas finge crer, para outros ainda é tudo produzido a partir de um templo, para outros ainda a verdade não existe, pois se existir a verdade, esse deverão proclamar sua falência completa.

Ou seja, nesses casos, ou a verdade é algo exterior ao ser ou ela não existe como prática.

O problema todo é que a verdade nos lança nos braços da liberdade – efeito colateral do conhecimento da verdade. E, como vivemos num mundo de máscaras, formatações pré-condicionadas e de intensas síndrome de avestruzes, a liberdade não pode ser bem vinda visto que a mesma nos tira o chão das imagens e nos lança nus, que é a condição sine qua non para andarmos com ele: livres de toda armadura mas apenas vestidos com o Sangue.

Mas, nem de longe, a liberdade é um salvo conduto para independência sem limites ou para a vagabundagem existencial. Antes de tudo a liberdade tem a ver com o fato de que, nEle, somos livres para ser quem somos, deixando para trás uma máscara de nós mesmos. De tudo, “só uma coisa não será permitido: amar sem amor”.

Logo, você vê, para mim a Verdade tem Nome, Verbo feito Substantivo que Vive em nós: Jesus o Nazareno.

Mas, ora, se a Verdade não produzir verdade em mim, logo voltamos ao problema inicial: serei apenas mais um impostor de si mesmo divagando sobre algo que para Jesus era simples e direto: Eu sou a Verdade, Ele disse sem sobressaltos, sem explicar, sem temor de ser mal compreendido, sem se preocupar com interpretações filosóficas, mas apenas afirmando com peso de eternidade o que é claro: os mistérios foram desvendados todos, e a Verdade veio a tona transbordante como Água Viva.

Agora, a Verdade deve ser verdade em nós, porque se assim não for, passará apenas a ser uma palavra dada a divagações mil, mas sem qualquer vida.

Por isso a chamada é para que sigamos e prossigamos em conhecê-Lo, mas não para ter as respostas, mas apenas descansando nEle.

É assim que o Caminho é em fé: quem quiser vá, prove e se lambuze. Quem não quiser não chame urubu de meu louro nessa eterna panelinha de fazer comidinha onde meninos discutem o indiscutível – como se o verme pudesse definir algo sobre Júpiter.

No Caminho onde somos chamados a viver,

Vando
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O preconceito nosso de cada dia

Quando o cara é novinho e, conseqüentemente, tudo lhe é novo, e por pressão do grupo, ele se diz sem preconceito de tudo.

A medida que cresce, trabalha, tem filhos e muitas outras experiências, continua afirmando: não tenho preconceito!

Sim, não tem... Talvez para si mesmo.

É que, em relação a si, a maioria é complacente. Passa a mão em seus próprios erros pois conhece sua história e sabe o sentimento de raiva, medo ou tensão que lhe dominava enquanto agia desta ou daquela forma. Assim, pela compreensão dos próprios atos, absolve-se.

Mas quando a análise trata do próximo logo as alcunhas surgem: “bichinha”, “falso”, “metida”.

E, agora, aquele sujeito que durante toda a adolescência e juventude, se achava o cara mais descolado da face da Terra, passa a agir como um bunker moral a proteger a si mesmo quanto àquilo que pensa ser imoral.

E isso é assim porque preconceito não tem nada a ver com o outro mas somente consigo mesmo. Quanto mais medroso, culpado e religioso, mas o sujeito envereda pelos caminhos do terror ao próximo.

Isso porque tudo aquilo que ele vê no outro que se aproxima dele, no que ele tem de pior a seu próprio olhar – e ainda que, diante de si, as próprias mazelas são sempre absolvidas – são lançadas sobre esse outro em forma de ódio e terror já que não as pode impingir contra si mesmo.

Daí que as desculpas são as piores possíveis: “pouca vergonha”, “coisa do diabo”, “Deus não aprova”.

Perceba-se que sempre o julgamento utiliza argumentos de fora de si, quando na verdade todos os argumentos partem dele para ele mesmo. É um juízo ao espelho.

Quando Jesus diz para não julgar porque com a mesma medida que julgamos assim também seremos julgados, há ainda outras “leis” da vida envolvidas como a que diz que, se você planta abóbora, jaca não colherá. Mas, certamente, esse julgamento de espelho envolvido em todo julgamento é nada mais do que isso: o medo de si mesmo vomitado sobre o outro.

Assim, enquanto os homens formos cegos no caminho do próprio coração, o outro sempre nos será um filme de terror.

Enquanto a Graça que recebemos diariamente não for devolvida ao outro sem recibo – com a mão esquerda não vendo o que direita doa de amor, carinho, afeto e até dinheiro – então seguiremos todos juntos nesse exército de soldadinhos de chumbo do medo. Enquanto não deixarmos o coração em ato de completa abertura para esquadrinhamentos sinceros e completos, diariamente, então tudo nos será negro, mesmo que o sol de verão brilhe do lado de fora da janela.

Pense com carinho.

No Caminho onde aprendemos que o contrário do amor não é o ódio, mas o medo,

Bjs,

Vando
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Paz,


Vando

E tudo se fez novo...


Era impossível não olhar para Jesus.

Seu discurso era deveras diferente. Sua “doutrina” tinha bases óbvias, mas com aplicativos até então não vistos no dia-a-dia. Na verdade “sua” doutrina “não era” dele. Era do Pai. Ou seja, nada era novo. Tudo já estava dito. Ora, Jesus recorre ao Antigo Testamento todo o tempo. Paulo, mais tarde, também recorrerá ao AT a fim de explicar o que estava tentando fazer seus ouvintes/leitores enxergarem de óbvio. Ou seja, nada era novidade, mas tudo era novo.

E qual era a novidade então?

Simples: para a religião circundante tudo era novo.

Mas o que Jesus apresentava estava descrito com obviedade: Jesus curava, expulsava demônios, proclamava o Amor, ensinava a Paz, o perdão, a que se aguardassem Dias Melhores, que não se julgasse o próximo e coisas a fim. Tudo era muito óbvio: ali estava o Filho de Deus. Mas, porque não enxergavam?

Não estaria esta essência descrita, de alguma forma, nos Profetas e nos Salmos? Não estaria previsto que viria o Filho do Homem?

Sim, estaria. Mas então porque as pessoas maravilhavam-se com Ele como se tudo fosse muito novo e diferente?

Pela mesma razão que alguns com eles se escandalizavam: o que era novo era a prática do que Ele fazia a partir do Amor.

Nos tempos de Jesus a religião era dominada pela barganha de sacrifícios a Deus, pelo poder dado a sacerdotes religiosos que tinham a força (He-man de Deus) para amaldiçoar ou abençoar, pela sacanagem de poder entre política e religião - principalmente pelas barganhas políticas existentes (havia inclusive uma espécie de Partido Cristão da época) –, pelas lendas que habitavam as crenças do povo (fruto do próprio leitinho servido pelo Templo), pelo completo estado de dês-amor dos líderes religiosos que não hesitavam em retirar até o último centavo da viúva e exigir dos jovens dedicação integral para que fossem reconhecidos diante da sociedade. E muitos outros exemplos.

Assim, entenda: não era Jesus que era diferente: era a religião que estava num estado de completa embriaguez, cegueira e tolice. E o povo junto.

É diferente hoje?

Convivi aqui em Angra com jovens pensantes. Inteligentes, sensíveis, verdadeiros. E tais características sempre os trouxeram problemas. A religião não os suportou. Optaram pela liberdade, acertadamente.

Mas, daí, e por confundirem Igreja com “igreja”, por não terem sido ensinados da diferença entre Evangelho e “evangelho”, por não terem aprendido a ouvir a Voz do Pastor, mas apenas a última palavra do “pastor” em tudo, por não conseguirem distinguir sobre Um Deus que é amor e um “deus” da “igreja” que é justiça com um facão na mão esquerda e um soquete de madeira de amassar feijão na direita (pronto a acertar a cabeça do primeiro menino que transar), por não acreditarem na fábula de um céu chato e com anjinhos barrocos e nunca terem sido ensinados que a esperança de Novos Céus e Nova Terra não se explica, apenas se espera com pacificação de coração, por não reconhecerem esse diabo inimigo de Deus (visto que se Deus É, como poderia ter um ser que fosse um suposto inimigo de Deus?), por não terem sido ensinados a ler nada além do mais do mesmo, de uma basicalidade imbecilizante e quadrada, por terem ouvido durante toda a vida que dança, música e cerveja são do diabo, por isso e muito mais, (mas muito mais!) cansaram.

Desistiram.

Foram para uma trincheira de uma espécie de ateu ocioso. Uma espécie de “estou cheio dessa babaquice”, dessa “piscina cheia de ratos”, desses ladrilhos manchados com o sangue dos inocentes. E assim, por nunca terem aprendido sobre ser do Evangelho (ser Evangélico) mas apenas a ser “evangélico”, “gospel”, ser “próspero”, “santo” ou “dizimista”, desistiram de buscar e crescer no entendimento da Graça do Senhor Jesus.

A esses o convite é simples: Venha e Veja: a partir do Evangelho há vida.

É preciso que diga: não acredito em ateus. Ainda não conheci um que não tivesse um histórico religioso por detrás a explicar suas dores, desilusões e seu “ateísmo”.

Aos meus amigos que assim se sentem e que foram de alguma forma tocados com esse texto, digo: saia dessa trincheira. Ela não lhe levará a lugar algum. Há um caminho a ir. É hora de sacudir a poeira e dar a volta por cima. O Evangelho nos chama.

Com carinho, nEle, sempre nEle, que não lançou ninguém para um inferno existencial, que não imputou sobre ninguém culpa, que não pisa ainda mais no machucado, que não desiste nunca dos seus,

Bjão,

Vando
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Voltou ao Pai outra doce menina


Conheci a Nizzianne menina. Novinha mesmo. Um doce de pessoa e já denotando toda sua inteligência e capacidade analítica e crítica. Ainda que na dela, transpirava desacomodação.

Agora, por questões que ninguém pode explicar, voltou para o Pai. Nesse momento já está diante da Mesa do Cordeiro.

Talvez se leia as condições culturais que todos estamos inseridos. Talvez alguns o façam. No entanto, diante da dor que não cessa, não há o que falar.

Apenas é assim porque a dor abate bons ou não. Justos e injustos. Novos e velhos.

No entanto, todas essas questões levantam-se mas não apagam a certeza de que agora ela descansou de todos os “mas”, “portantos” ou “talvez”. Sabe agora que as dúvidas cessaram. Descobriu que há um lugar onde não há choro ou ranger de dentes. Não mais precisa de fé pois está nO Lugar onde a fé é desnecessária. Foi para onde o Amor nunca cessa.

E porque estou certo disso? Ora porque estamos falando de Deus e não do diabo, porque falamos de Graça e porque falamos de Amor. Ou não será disso que falamos?

Sim, é isso. É assim para mim e assim para todos. Do mais empedernido “pecador” ao mais “moralmente” correto religioso. Diante dEle, todos somos pecadores até a última célula. Mas diante dEle todos fomos resgatados em Graça incorrigivelmente desde antes de haver mundo.

Amém.

Vai com Deus a doce menina. E que os que aqui sofrem agora, descansem na esperança do Pai que conosco está, tanto com ela agora também está.

Bjs a todos,

No Caminho, onde nenhum daqueles que o Pai deu a Jesus, será perdido,

Vando
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Revistando: Carta: Céu ou inferno? Uma questão "evangélica"...

Email recebido:

Li um comentário seu sobre o barulho das igrejas evangélicas e quero te dizer que há seis anos atrás eu tinha a mesma opinião ou até pior e sabe onde me encontro hoje? Servindo ao Senhor em uma igreja evangélica, porque Deus teve misericórdia da minha alma e me salvou. Quer um conselho? Procure hoje mesmo uma igreja evangélica e aceite à Jesus como Senhor e Salvador, pois não tem outro caminho para sua alma ser salva. Experimente Jesus e não vai se arrepender, pois só Ele é o caminho, a verdade e a vida. Para o homem existem dois caminhos: céu ou inferno. Qual você escolhe? Se nesses meses você já aceitou Jesus, parabéns, se não faça isso hoje mesmo.

Assunto: Salvação da alma
De: Leitora
Para: vanderenator@gmail.com

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Resposta:

Cara,

Paz sobre você e discernimento ao seu ser,

Sei que você não leu nada do que escrevi. Sei ainda que sua caminhada de fé é inicial. Isso não quer dizer absolutamente nada diante de Deus. Mas, da mesma forma que você não é obrigadao a ler-me eu não o seria a respondê-la de algo que já postei aqui de diversas formas e, inclusive, respondendo algumas cartas.

No entanto, por cuidado a você, lhe responderei. Espero, em Deus, que o que eu escreva sirva de algo a você.

Não sou “evangélico” mas sou do Evangelho. Fui [“evangélico”] por aproximadamente 10 anos. Formei-me como Bacharel em Teologia o que reputo por estrume. E, ao contrário do que é comum dizer-se, não me “afastei” da “igreja” evangélica por causa dos “estudos”. Afastei-me simplesmente porque discordo daquilo que é pregado. Discordo do esquema de Barganha, Controle e Aparência. Discordo frontalmente porque simplesmente não há Evangelho. Talvez um dia você veja isso. Talvez já veja e só não quer admitir o que seu ser já lhe denuncia.

E isso nada tem a ver com Deus. Nada. De fato o esquema “evangélico” (assim entre aspas para dissociar o que é de fato Evangélico, ou seja, aquilo que advém do Evangelho da Graça de Jesus) em nada se assemelha as Boas Novas. Em nada há semelhança entre a simplicidade da pregação de Jesus e o leite azedo servido dominicalmente.

Ora, e repetindo-me, não veja nisso amargura alguma de minha parte. Não existe rancor em mim ao escrever isso. Da mesma forma que minha resposta a você segue sem qualquer sentimento pesaroso n´alma. Apenas uma simples constatação do esquema e também daquilo que vejo em você que não é nada diferente do que conheço e já vi acontecer. Ou seja, uma alma presa na dualidade entre céu e inferno, bom e ruim, deus e o diabo, imoralidade e correção moral.

Você mesma, em suas breves palavras, é um sinal deste espírito de dualidade onde só existe o “mundo” e a “igreja”. É por isso, que, no entendimento “evangélico” que lhe possui, você me chama a ir a uma “igreja” para conhecer o Senhor. Ora, isso é um desencontro total com a proposta de Jesus quando Ele diz não ter teto. Quer apresentar-me Aquele no qual já fui afogado, quer me mostrar Aquele que já me tomou de febre. É assim que sou convidado por você a “experimentar Jesus” como quem busca gostos diversos entre o “maior dos maiores”. Ora, Ele é e não há que ser provado.

No entanto, nEle, somos chamados a ser. Por inteiro. O processo da pacificação nEle é exatamente o caminho da integralidade. Do ser inteiro, que conhece sua cruz e a carrega, que não tem medo do espelho, que não julga o próximo por seus deslizes, que não fica escandalizado por nada do que há sobre a face da Terra porque conhece o escândalo a partir de si, que conhece o pecado não pelas exclusões que participou mas pelo próprio coração onde constata quem é o maior pecador.

Assim, o caminho para você e para todos é esse: o do discernimento do que seja o Evangelho a partir de Jesus. Porque Jesus é a chave da interpretação, não somente das Escrituras bem como da Vida. Jesus é o óculos com os quais aprendemos a olhar a vida e a viver.

Por essa razão sugiro a você a leitura do Evangelho sem os óculos da denominação, dos livros ou seja lá do que for. Faça a simples crítica de ver a quem Jesus condenava, a quem ele amava, a que Ele dava razão e o que Ele condenava. E veja ao que Jesus dava importância. Leia com avidez, como quem está lendo pela primeira vez. Leia com sede de ouvir a Sua Voz. E nada mais. Sem querer provar nada a você ou a ninguém. Apenas a fome de provar do pão que desceu de Deus.

Feito isso, e caso queira, torne a ler o que escrevi. Compare o que aqui está com o espírito do Evangelho (e garanto que você perceberá a origem do que aqui está dito) e aí, caso você pense ainda haver dissociação entre uma coisa e outra torne a me escrever.

Mas não se importe com uma frase, um conceito perdido, um texto de raiva, um desabafo. Compare apenas o espírito da coisa.

Aqui, garanto, há apenas um homem que se ocupa em propagandear o Evangelho em acordo com o espírito do próprio Evangelho.

Sei que, a princípio tudo que lhe escrevi parecerá, no mínimo, estranho. A maioria acha mesmo é que é soberba. Mas sei também que um dia isso lhe fará sentido e você se rirá do que me escreveu.

Espero ter ajudado,

Bjão,

No Caminho onde somos chamados a seguir após Ele,

Vando vanderenator@gmail.com

E como é o Caminho? Com placas e quebra-molas?

Jesus estava próximo de enfrentar a maior angústia pela qual alguém poderia passar: a cruz. Nesse contexto avisa seus discípulos sobre o caminho a seguir quando aos discípulos surge a questão: não sabemos para onde vais, como saberemos o caminho?

Eis a fixação geográfica e temporal, não somente dos homens dos primeiros séculos, mas de todo homem em todos os tempos. Essa fixidez é aquela que exige um ponto fixo no céu para se orientar na noite escura do mar bravio. Mas ora, se para os navegantes o Cruzeiro do Sul indica o ponto cardeal que lhe dá nome, com Jesus a chamada é existencial e não religiosa posto que, a chamada religiosa é sempre fixa, dogmática, com um templo pra chamar de meu, um grupo de sacerdotes que ditam as normas para a vida e sempre postulante de regras e doutrinas feitas muralhas separatistas.

Assim, quando Jesus diz “Eu sou o caminho”, bem como o complemento (verdade e vida) faz-se um com o Pai, levando o conceito de caminho não para as paredes do templo de Jerusalém ou para o deserto junto aos essênios pois a chamada nEle é simples: O Caminho sou Eu, e quem me vê, vê ao Pai. Logo, para caminhar o caminho em fé com Deus, basta olhar para Jesus e aprender como Ele andou.

E simplesmente ver que Ele andou em amor. Assim, se há (e há!) qualquer marca visível daquele que diz ser discípulo de Jesus, essa é única marca possível: o Amor.

O resto é apenas ecstasy religioso servido aos fiéis domingo após domingo, como que fartando a alma de uma gordura trans-espiritual mas nunca como verdade, caminho e vida.

Nele o Caminho é o Amor. E ponto.

Bjão,

Vando
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